Categoria: Mistérios Page 2 of 3

Quando as pedras sentem sede…

É muito comum, no folclore local, que lendas associem menires pré-históricos a “gigantes petrificados”. A “Stane O’ Quoybune”, que fica nas Ilhas Orkney e tem 4 metros de altura, é uma dessas “pedras-gigantes” que dizem já ter sido um gigante real.

Mas, aparentemente, o gigante não petrificou totalmente porque, segundo a lenda, todos os anos, à meia-noite do dia 31 de dezembro, essa pedra se move até um lago que fica próximo e mergulha sua ponta nele, para beber sua água gelada.

Caixões em miniatura: um dos maiores mistérios de Edimburgo

No final de junho de 1836, um grupo de meninos estava caçando coelhas nas encostas do Arthur’s Seat, em Edimburgo quando, por acaso, fizeram uma das descobertas mais misteriosas da Escócia.

Escondidos atrás de três pedras planas, estavam 17 caixões em miniatura. Cada caixão – de apenas 9.5 cm de comprimento – continha uma pequena figura de madeira. As figuras foram esculpidas e vestidas com roupas costuradas e coladas em volta delas.

 

Na época, os jornais locais divulgaram teorias diferentes sobre a origem e o significado desses pequenos caixões. Alguns diziam que eram objetos de feitiços satânicos, enquanto outros mencionavam antigos costumes germânicos de enterrar efígies de amigos falecidos em terras distantes – embora essa prática nunca tenha sido verificada por aqui.

Mas a teoria que mais popularizou foi a de que, talvez, os dezessete caixões representassem as dezessete vítimas de Burke e Hare.

Burke e Hare eram assassinos famosos, na época em que as pesquisas médicas estavam avançando e precisavam de corpos. A maioria dos criminosos roubava corpos recém-enterrados mas Burke e Hare foram mais longe. Tem um post contando a história deles lá no blog (é só digitar “Burke” na busca, que aparece) mas vou botar o link nos stories, também.

Acontece que doze das vítimas da dupla era mulheres, e as figuras nos pequenos caixões parecem todas masculinas. Outro detalhe é que sabemos de dezessete vítimas, mas o número verdadeiro pode ser bem maior.

E por que alguém perderia tanto tempo fazendo esses caixões, e escondendo-os no Arthur’s Seat?

Oito deles podem ser vistos no Museu Nacional, de cujo site peguei as duas últimas fotos, para vocês poderem ver os detalhes.

 

 

Monumento a Maggie Wall

“Maggie Wall, queimada aqui, em 1657, como uma bruxa”.

Na Escócia, quase 3.800 pessoas foram acusadas de bruxaria entre 1500 e 1700. Mulheres eram a imensa maioria. Cerca de 1.500 foram assassinadas como resultado dessa perseguição.

Old Man of Storr: entre gigantes e fadas

A lenda mais famosa sobre o Old Man of Storr, na Ilha de Skye, conta que um gigante caiu morto na Península de Trotternish. A ação do tempo fez com que a própria terra se encarregasse de enterrá-lo, deixando apenas o seu polegar despontando acima do solo.

Mas existe uma outra história, que diz que um casal tinha o costume de subir a colina todos os dias, para juntos apreciarem a vista. Com o passar dos anos, envelheceram, e a esposa começou a ter dificuldades para fazer a caminhada diária. O marido recusava-se a quebrar a tradição e, quando ela já não conseguia mais subir, passou a carregá-la nas costas.

As fadas que moravam no local, comovidas pela dedicação e pelo amor de ambos, ofereceram ajuda. Prometeram unir o casal para sempre, com uma única condição: ele precisaria carregá-la até o topo uma última vez. Assim que chegaram, foram transformados em grandes rochas, permanecendo juntos, para sempre, lá no alto, onde gostavam de estar.

A minha experiência no local me diz que existem mais chances de essa última história ser verdadeira. Quando resolvi fazer a caminhada até o Old Man of Storr, li que levava cerca de uma hora para chegar até o topo. “Moleza”. Tudo bem que fiz algumas paradas para fotos, mas já fazia cerca de uma hora quando perguntei para uns rapazes que estavam descendo quanto tempo faltava até o topo. “Uns 20 minutos”, me disseram. “Tranquilo”. Controlei no relógio, e quem me conhece sabe que eu caminho rápido mas, 20 minutos depois, ainda estava longe de chegar. Mais alguém estava descendo, e aproveitei para perguntar, de novo, quanto tempo faltava. “Uns 20 minutos”, a pessoa me disse. Uma coincidência engraçada, mas 20 minutos são 20 minutos, então segui firme. Depois de mais uns 15 minutos subindo, perguntei para uma terceira pessoa, uma senhora que descia bem devagar. “Eu não fui até o topo”, ela me disse, “mas imagino que sejam mais uns 20 min”. Fiquei pensando que magia foi essa que fez com que as pessoas ficassem incapazes de contar o tempo em números diferentes de 20.

Muitos 20 minutos depois, eu estava no alto, já atrás das grandes rochas, mas ainda não era o topo. Sem energia para subir por mais 20 minutos, e percebendo que estava escurecendo rápido, resolvi iniciar a descida, já meio temerosa de que 20 minutos continuassem se multiplicando e eu não conseguisse voltar para casa!

Quem já fez tour comigo e teve a chance de escutar algumas das histórias de fadas que conto vai lembrar que uma das coisas que elas mais gostam de fazer, por aqui, é distorcer a percepção do tempo. Existem várias histórias de pessoas que passam poucas horas caminhando nas florestas e montanhas mas, quando voltam para casa, percebem que se passaram vários dias.

No meu caso, eu caminhei por horas mas, aparentemente, foram apenas 20 minutos. Sempre. Então, amigos e amigas, não me perguntem quanto tempo leva – tirem logo o dia todo! – e tomem cuidado com as fadas do caminho.

Caça às Bruxas na Escócia

Algumas semanas atrás, eu fiz uma live, lá no instagram @vidanaescocia, falando um pouco deste assunto, que é bastante extenso, complexo, e me interessa bastante.

Todo mundo conhece o caso de Salem, nos Estados Unidos. Existem muitos livros, peças de teatro e filmes que recontam a história e trazem à tona a injustiça que as vítimas acusadas de bruxaria sofreram. Mas sabem quantas pessoas foram executadas em Salem? Vinte. 

Na Escócia, de acordo com dados recentes do governo, aproximadamente 3500 pessoas, na imensa maioria mulheres, foram executadas como bruxas na Escócia entre 1560 e 1727.

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