Categoria: Ilha de Skye

O túmulo roubado de Angus Martin, na Ilha de Skye

Imagina gostar tanto de uma lápide… que você decide usá-la como a sua.

Segundo a tradição local, foi exatamente isso que Angus Martin teria feito.

Esse é o túmulo dele, em Kilmuir, na Ilha de Skye.

Mas essa lápide não foi feita para ele.

Old Man of Storr: entre gigantes e fadas

A lenda mais famosa sobre o Old Man of Storr, na Ilha de Skye, conta que um gigante caiu morto na Península de Trotternish. A ação do tempo fez com que a própria terra se encarregasse de enterrá-lo, deixando apenas o seu polegar despontando acima do solo.

Mas existe uma outra história, que diz que um casal tinha o costume de subir a colina todos os dias, para juntos apreciarem a vista. Com o passar dos anos, envelheceram, e a esposa começou a ter dificuldades para fazer a caminhada diária. O marido recusava-se a quebrar a tradição e, quando ela já não conseguia mais subir, passou a carregá-la nas costas.

As fadas que moravam no local, comovidas pela dedicação e pelo amor de ambos, ofereceram ajuda. Prometeram unir o casal para sempre, com uma única condição: ele precisaria carregá-la até o topo uma última vez. Assim que chegaram, foram transformados em grandes rochas, permanecendo juntos, para sempre, lá no alto, onde gostavam de estar.

A minha experiência no local me diz que existem mais chances de essa última história ser verdadeira. Quando resolvi fazer a caminhada até o Old Man of Storr, li que levava cerca de uma hora para chegar até o topo. “Moleza”. Tudo bem que fiz algumas paradas para fotos, mas já fazia cerca de uma hora quando perguntei para uns rapazes que estavam descendo quanto tempo faltava até o topo. “Uns 20 minutos”, me disseram. “Tranquilo”. Controlei no relógio, e quem me conhece sabe que eu caminho rápido mas, 20 minutos depois, ainda estava longe de chegar. Mais alguém estava descendo, e aproveitei para perguntar, de novo, quanto tempo faltava. “Uns 20 minutos”, a pessoa me disse. Uma coincidência engraçada, mas 20 minutos são 20 minutos, então segui firme. Depois de mais uns 15 minutos subindo, perguntei para uma terceira pessoa, uma senhora que descia bem devagar. “Eu não fui até o topo”, ela me disse, “mas imagino que sejam mais uns 20 min”. Fiquei pensando que magia foi essa que fez com que as pessoas ficassem incapazes de contar o tempo em números diferentes de 20.

Muitos 20 minutos depois, eu estava no alto, já atrás das grandes rochas, mas ainda não era o topo. Sem energia para subir por mais 20 minutos, e percebendo que estava escurecendo rápido, resolvi iniciar a descida, já meio temerosa de que 20 minutos continuassem se multiplicando e eu não conseguisse voltar para casa!

Quem já fez tour comigo e teve a chance de escutar algumas das histórias de fadas que conto vai lembrar que uma das coisas que elas mais gostam de fazer, por aqui, é distorcer a percepção do tempo. Existem várias histórias de pessoas que passam poucas horas caminhando nas florestas e montanhas mas, quando voltam para casa, percebem que se passaram vários dias.

No meu caso, eu caminhei por horas mas, aparentemente, foram apenas 20 minutos. Sempre. Então, amigos e amigas, não me perguntem quanto tempo leva – tirem logo o dia todo! – e tomem cuidado com as fadas do caminho.

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén

You cannot copy content of this page