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Hospedagens “Assombradas” na Escócia

Se tem uma coisa que, aparentemente, a Escócia tem de sobra, mais até do que ovelhas, é fantasmas! Dizem que esse é um dos países mais mal-assombrados do mundo, e as paisagens de castelos e ruínas, aliadas ao clima predominantemente cinzento e sombrio fornecem um cenário perfeito para histórias sobrenaturais – que, aliás, são muito bem exploradas turisticamente, vide a quantidade de “tours-fantasma” em Edimburgo. E não é difícil acreditar que seja mesmo, principalmente quando se tem conhecimento de um passado cheio de sangue e violência como o daqui.

Mas nada como uma assombraçãozinha básica na vida de uma pessoa para dissipar dúvidas e dar aquela emoção! Se você é do tipo que acredita desacreditando e que gostaria de ter uma experiência sobrenatural daquelas que fazem a gente correr e deixar até o filho pra trás, vai ter mais chances de viver essa história se hospedando em um lugar ectoplasmicamente agitado. 

Então, anotem aí minhas dicas de hospedagens assombradas na Escócia. Não planejem dormir muito e, se forem em alguma, me contem depois – e mandem fotos das aparições também, por favor!

Old Man of Storr: entre gigantes e fadas

A lenda mais famosa sobre o Old Man of Storr, na Ilha de Skye, conta que um gigante caiu morto na Península de Trotternish. A ação do tempo fez com que a própria terra se encarregasse de enterrá-lo, deixando apenas o seu polegar despontando acima do solo.

Mas existe uma outra história, que diz que um casal tinha o costume de subir a colina todos os dias, para juntos apreciarem a vista. Com o passar dos anos, envelheceram, e a esposa começou a ter dificuldades para fazer a caminhada diária. O marido recusava-se a quebrar a tradição e, quando ela já não conseguia mais subir, passou a carregá-la nas costas.

As fadas que moravam no local, comovidas pela dedicação e pelo amor de ambos, ofereceram ajuda. Prometeram unir o casal para sempre, com uma única condição: ele precisaria carregá-la até o topo uma última vez. Assim que chegaram, foram transformados em grandes rochas, permanecendo juntos, para sempre, lá no alto, onde gostavam de estar.

A minha experiência no local me diz que existem mais chances de essa última história ser verdadeira. Quando resolvi fazer a caminhada até o Old Man of Storr, li que levava cerca de uma hora para chegar até o topo. “Moleza”. Tudo bem que fiz algumas paradas para fotos, mas já fazia cerca de uma hora quando perguntei para uns rapazes que estavam descendo quanto tempo faltava até o topo. “Uns 20 minutos”, me disseram. “Tranquilo”. Controlei no relógio, e quem me conhece sabe que eu caminho rápido mas, 20 minutos depois, ainda estava longe de chegar. Mais alguém estava descendo, e aproveitei para perguntar, de novo, quanto tempo faltava. “Uns 20 minutos”, a pessoa me disse. Uma coincidência engraçada, mas 20 minutos são 20 minutos, então segui firme. Depois de mais uns 15 minutos subindo, perguntei para uma terceira pessoa, uma senhora que descia bem devagar. “Eu não fui até o topo”, ela me disse, “mas imagino que sejam mais uns 20 min”. Fiquei pensando que magia foi essa que fez com que as pessoas ficassem incapazes de contar o tempo em números diferentes de 20.

Muitos 20 minutos depois, eu estava no alto, já atrás das grandes rochas, mas ainda não era o topo. Sem energia para subir por mais 20 minutos, e percebendo que estava escurecendo rápido, resolvi iniciar a descida, já meio temerosa de que 20 minutos continuassem se multiplicando e eu não conseguisse voltar para casa!

Quem já fez tour comigo e teve a chance de escutar algumas das histórias de fadas que conto vai lembrar que uma das coisas que elas mais gostam de fazer, por aqui, é distorcer a percepção do tempo. Existem várias histórias de pessoas que passam poucas horas caminhando nas florestas e montanhas mas, quando voltam para casa, percebem que se passaram vários dias.

No meu caso, eu caminhei por horas mas, aparentemente, foram apenas 20 minutos. Sempre. Então, amigos e amigas, não me perguntem quanto tempo leva – tirem logo o dia todo! – e tomem cuidado com as fadas do caminho.

Caça às Bruxas na Escócia

Algumas semanas atrás, eu fiz uma live, lá no instagram @vidanaescocia, falando um pouco deste assunto, que é bastante extenso, complexo, e me interessa bastante.

Todo mundo conhece o caso de Salem, nos Estados Unidos. Existem muitos livros, peças de teatro e filmes que recontam a história e trazem à tona a injustiça que as vítimas acusadas de bruxaria sofreram. Mas sabem quantas pessoas foram executadas em Salem? Vinte. 

Na Escócia, de acordo com dados recentes do governo, aproximadamente 3500 pessoas, na imensa maioria mulheres, foram executadas como bruxas na Escócia entre 1560 e 1727.

Lilias Adie, uma “bruxa” escocesa.

Lilias Adie foi uma senhora vítima da caça às bruxas aqui na Escócia. Neste vídeo, eu contei um pouco da história dela:

As acusações contra Lilias surgiram quando algumas mulheres do vilarejo em que ela morava ficaram doentes ao mesmo tempo. Uma delas acusou Lilias, que foi imediatamente levada à presença do reverendo local, para confessar o seu crime. Apesar de ela ter alegado inocência, foi presa e interrogada todos os dias até, finalmente, “confessar”. 

Eu expliquei na live sobre bruxaria na Escócia (vou postar o vídeo aqui, no blog, depois), que os escoceses se consideravam benevolentes e portanto a tortura por meio de dor física não era tão utilizada, mas eles torturavam de outras formas, e uma das mais comuns era deixar a suposta “bruxa” sem dormir por dias, o que certamente causava alucinações que deixavam as confissões muito mais coloridas. 

“Bloody Mackezie”, o poltergeist mais famoso de Edimburgo

Em dezembro de 1998, um mendigo andava rapidamente pelas escuras ruas da cidade velha de Edimburgo. Buscando um abrigo da chuva, que ficava cada vez mais forte e mais gelada, ele entrou no cemitério de Greyfriars e forçou a porta de um antigo mausoléu. Dentro, em meio à escuridão, ele retirou uma grade de metal que dava acesso a uma espécie de porão, e desceu por uma curta e estreita escada de pedra.

Foto: City of the Dead Tours

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